Família é a ideia original!

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Meu filho Rafael

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Nasci em Juazeiro, Norte da Bahia, tenho 39 anos e quatro irmãos. São eles: Neiva, Gesiel, Itazil e Wilton.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os dias que vivemos!

Santos de Deus!

A graça e a paz que excede todo entendimento seja com todos!

Amados, o apóstolo dos gentios, escreve a Timóteo, dizendo que haveriam dias difíceis e tormentosos.
Ao que parece, estamos vivendo eles.
Haiti, Chile, Japão, Rio de Janeiro com chuvas arrasadoras e narcotráfico mobilizando uma verdadeira guerra civil, traz em pouco tempo de um ano para cá, reflexões sobre a doutrina do arrebatamento da igreja do Senhor nos ares.

As autoridades tentam acalmar as pessoas pelos noticiários afirmando que está tudo dentro do normal, não precisam entrar em pânico. Os pseudo-cientistas aparecem consultados  nesta hora infeliz pelas empresas de comunicação e advogam que isso é coisa rotineira na terra dos viventes e que hoje por causa do acesso a internet e da comunicação em tempo real, a gravidade dos fatos tomam proporções maiores que as verdadeiras.

Mas quem é salvo, sabe que a muito tempo, dos anos noventa para cá, o cenário do mundo tem mudado para a aparição dos acontecimentos escatológicos previstos na santa palavra de Deus. Meu tio, que nasceu nos idos de 1947,  uma certa vez falou em tom de descrença que desde que ele era menino o povo falava que Jesus voltaria para buscar a Sua igreja e Ele ainda não tinha dado o ar da graça. Ele estava cético com relação a esta doutrina tão atual nos nossos dias, pelo fato de muitos terem esfriado na fé.

 A igreja de Cristo por estar perdendo o perfil do começo da sua fundação em terras brasileiras, agora se agiganta com um ávido interesse: o dinheiro dos crentes, não importando-se como ensinar a respeito das ofertas e dízimos, mas, valendo-se de todos os artifícios para montar impérios em torno de homens inescrupulosos.

Hoje é difícil para o crente pentecostal viver na doutrina dos apóstolos, justamente porque os apóstolos são auto consagráveis, e ensinam um reino aqui na terra ao invés de frisarem que estamos por pouco tempo neste torrão. A qualquer momento, a trombeta soará e os salvos em Cristo serão chamados às mansões celestiais.






As teologias da prosperidade, da confissão positiva, do triunfalismo tomam conta dos arraiais evangélicos e transformam as pessoas, em ávidos buscadores da solução dos seus problemas deixando de lado o mais importante que é a consagração a Deus de modo pleno.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Uma Palavra Sobre Meu Espaço Neste Blog!

Eu definiria melhor o que gosto e que sou pelas minhas escolhas. E isso eu tenho feito. Ao escolher os blogs que sigo, ao escolher os textos que copio e lanço neste espaço, o faço com absoluta convicção, de estar revelando parte da minha personalidade. 

Esperem primeiramente deixar aqui revelações postadas pelos meus amigos virtuais, que apesar de desconhecidos pessoalmente, seus textos, aproximam-nos e nos dão a exata afinidade para considerá-los. 
Por isso deixe que eu fique por detrás de outros pensamentos de blogueiros evangélicos, para então, estar escrevendo, postando, "coisas minhas".

Evidentemente tenho olhado e ouvido muito;...no Cyber-Espaço tudo acontece com uma velocidade vertiginosa...notícias vêem e vão...no entanto, permanece o caos no meio evangélico!

Vejo muitas notícias e por elas vou tecendo meus comentários. Muitas dessas notícias tem um efeito devastador em amigos e conhecidos meus. Especialmente no que diz respeito à nossa fé e a sua relação com a denominação à qual somos ligados.

Eu nasci em um lar evangélico. Filho de pastor, (Meu pai foi pastor por 31 anos da sua vida). Tenho contemplado de perto nos bastidores da nossa denominação, muitas divisões, intrigas, nepotismo, desvirtuamento da fé por causa do dinheiro e do que ele pode proporcionar. Eu vi coisas que não é lícito deixar escrito aqui. Não porque seja "inefável", mas, pelo contrário, porque me sentiria envergonhado pelos atos que os nossos ilustríssimos, reverendíssimos tem praticado nome de uma" inquestionável autoridade apostólica". 


Eu nunca quis estar onde estou. Quem me conhece sabe do que estou falando. Vi de perto a hipocrisia contra meu pai e isso me aborrecia. Contudo, sou chamado para exercer o presbitério a despeito de tudo isso, em uma denominação quase centenária, que gozava de muita credibilidade, que por causa dos escândalos, está em declínio moral justamente pelo fato de estar nas mãos dos homens ambiciosos, inescrupulosos, que fazem de tudo para ver seus impérios construídos e passados aos filhos como capitania hereditária.


Deus pela Sua poderosa mão, escolheu colocar-me aqui como antagonista a tudo que estamos vivendo. O que não tem base bíblica usarei do recurso que disponho para  fazer o que um arauto faria. Eu abrirei a minha boca e denunciarei o pecado. Esteja ele onde estiver, principalmente entre aqueles que se dizem intocáveis. 


É costume de muitos, esconder as suas mazelas e querer se fazer inerrante, infalível, intocável, entre outros adjetivos que os colocariam nos lugares celestiais da bondade absoluta e inquestionável.  Esta blindagem cai por terra quando nós os confrontamos com a Palavra de Deus. A Palavra do grande El-Shadday nos revela que pelos seus frutos os conheceríamos. Então cabe-nos o exercício de tocar a trombeta e deixarmos de hipocrisia, de corporativismo, de favoritismo e mostrar o que cremos e o que não cremos, afinal de contas, como poderemos afirmarmos um credo que esconde nossas mazelas debaixo dos tapetes que escondem os erros dos seus apadrinhados? Outras instituições já fazem isso a séculos. Será que queremos imitá-los? 
Eu sei que Deus por questão de propósito, fará em Seu tempo, muitas mudanças. Especialmente entre os intocáveis, porém, isso não me exime do dever que tenho para com a minha consciência.
Quem se posicionará contra estes que à semelhança do capítulo 3 do livro do profeta Miquéias estão engordando suas contas com tudo o que das ovelhas puderem tirar? Só denúncias não darão resultado. Precisamos deixar de apadrinhá-los, de ter pena destes Saúls e de fato, puni-los de acordo manda os estatutos, os regimentos das convenções. É por causa da demora em puní-los, que nascem as divisões  abalando a nossa denominação. É o apadrinhamento, as vistas grossas, que transtornam nossas reuniões convencionais. Estes afilhados deitam e rolam  institucionalizando suas opiniões, sistematizando suas crenças sob o respeito que os títulos e as honrarias trazem para os tais, blindando-os com redoma anti-qualquer-coisa-que venha-contra-eles. E eu creio que quem está por detrás desta desorganização toda, tendo o poder de fazer algo sem se manifestar a respeito, está à serviço deste CAOS.


Outro dia, ainda neste mês de Fevereiro, uma pérola saiu da boca de um preletor que é a favor deste tipo de obreiro:
 -"...Se vocês estão falando mal do seu pastor, fiquem sabendo que Deus, ainda que o pastor esteja errado, ele matará quem estiver falando mal do Seu ungido, e depois o tratará de modo restaurador..."
Deus fazendo acepção de pessoas? Quem errar será julgado por Deus. Aliás, "...a quem muito é dado muito será cobrado."
Esta mensagem, foi comprada pelo cachê que o mesmo iria receber depois do culto. É muito óbvio, tudo o que sair da boca do "vendido" ao dinheiro, sairá em bom tom ao "ungido errado do senhor". O nosso Deus não é Deus de confusão.

Subsídio da Lição Bíblica 1º Trimestre de 2011

Os Super Crentes...etc e Tal

OS SUPER OBREIROS DA SUPER LIGA DA FÉ

Em todas as épocas existiram obreiros que se achavam acima da média. São estes os super apóstolos, super bispos, super pastores, super evangelistas, super presbíteros, super pregadores, super ensinadores, super profetas e etc.


Nos dias atuais este fato é super evidente. É uma verdadeira super vergonha o que acontece no meio super evangélico brasileiro, onde os super alguma coisa fazem de tudo para aparecer. Tentam demonstrar uma super espiritualidade, super carismas, super poderes, super milagres, super eloquência.


Em razão disto já foram criadas super estruturas para os super congressos, onde os super pregadores, super ministrantes e super preletores embolsam super cachês, dos super meninos na fé. Tudo isso sob a intermediação dos super empresários do mundo gospel.


Um pastor amigo meu, conferencista, me contou que ao se cruzar com um desses super alguma coisa, num dos aeroportos do país, o mesmo se gabava de ter recebido um super cachê e ainda deu para o meu amigo o seguinte conselho: "o negócio é pregar em comunidades evangélicas e nestas novas igrejas (não sei sobre quais novas igrejas ele se referia). O cachê que recebemos nas Assembleias de Deus é negócio para pregadorzinho. É cachê de miséria".


Um outro me falou que num destes super congressos, um deles cogitou a criação de uma "Liga da Justiça com os Superpregadores de Fogo".


Interessante também é a atitude dos super apóstolos da atualidade, que só abrem igrejas nos grandes centros urbanos, nos bairros nobres, nas principais avenidas e edificam (ou alugam) os mais luxuosos templos, para massagear a sua supervaidade, inclementar o seu super ministério, engordar a sua super conta e ampliar o seu super império pessoal.
Uma super boa tarde para todos!
Este post, foi retirado do abençoado blog do Pr. Altair Germano, e faz-se necessária a publicação tantas quantas forem desejadas.

Dorme no Senhor um Grande Homem de Deus!

QUINTA-FEIRA, 24 DE FEVEREIRO DE 2011


DORMIU NO SENHOR O PASTOR JOSÉ PIMENTEL DE CARVALHO

"Faleceu nesta manhã de quinta-feira, aos 95 anos, o pastor José Pimentel de Carvalho, líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR) e um dos grandes nomes das Assembleias de Deus no Brasil, tendo, inclusive, presidido a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), órgão máximo da denominação no país, nos anos 60, 70 e 80."


Leia a notícia completa no portal CPAD NEWS


Nossas condolências a toda igreja em Curitiba-PR.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Comentário EBD

O PODER IRRESISTÍVEL DA COMUNHÃO NA IGREJA. Subsídio para Lição Bíblica - 1º Trimestre/2011


Lição 4 - 1º Trimestre de 2011

Texto Bíblico: Atos 2.40-47
Texto Áureo: Ef 4.3,4


Comunhão e unidade são dois temas que não podem estar desassociados.

A COMUNHÃO DOS SANTOS



O termo grego para “comunhão” é koinonia, que significa “tendo em comum, sociedade, companheirismo”. Dentre outras coisas, denota a parte que alguém tem em algo: "É, assim, usado acerca: das experiências e interesses comuns dos cristãos (At 2.42; Gl 2.9)” (VINE, 2003 p. 485).


Arrington (2003, p. 639) afirma que:


A palavra "comunhão" (gr. koinonia) expressa a unidade da igreja primitiva. Nenhuma palavra em nosso idioma traduz seu significado completamente. Comunhão envolve mais que um espírito comunal que os crentes compartilham uns com os outros. É uma participação comum em nível mais profundo na comunhão espiritual que está em Cristo. 


Desta forma, comunhão dos santos é mais do que a simples partilha de bens materiais, é o desfrutar comum das bênçãos espirituais e da participação no corpo de Cristo pelo Espírito.


O termo “santos”, do grego hágios, é geralmente utilizado no plural para identificar todos os que professam a fé em Cristo (Rm 1.7; 1 Co 1.2; Ef 1.1 ss).


A expressão “comunhão dos santos”, do latim communio sanctorum, não aparece na Bíblia, embora idéia esteja presente. O termo foi utilizado pela primeira vez por Nicéias (ou Nicetas) de Remesiana, por volta de 400 d.C.


Conforme o Dicionário Bíblico de Wycliffe (2006, p. 439), os ensinos sobre esta verdade se apresentam da seguinte forma:


- O surgimento da comunhão dos santos: A comunhão dos santos surge com o novo nascimento (Jo 3.1-12), sendo desta forma, limitada àqueles que estão em Cristo Jesus (2 Co 5.7). Por ter um Pai espiritual comum, possuem uma irmandade espiritual comum (Hb 2.11-13)


- A essência da comunhão dos santos: A comunhão representa a unidade espiritual que liga os crentes a Jesus e uns com os outros (Jo 15.1-10; 17.21-23; Ef 4.3-16). Embora transcenda os laços naturais (Gl 3.28; Cl 3.11), não elimina as diferenças comuns às pessoas (1 Co 7.20-24; Ef 6.5-9).


- Os resultados da comunhão dos santos: O compartilhamento mútuo das bênçãos materiais (Rm 12.13; 15.26, 27; 2 Co 8.4; 9.9-14; Fl 4.14-16) é um das manifestações visíveis desta comunhão. Em um nível mais elevado, como já colocamos, a participação nos dons espirituais (MT 25.15; 1 Co 12.1-31) dentro da comunidade cristã, é outra forma de manifestação da comunhão dos santos.


Barclay (2000, p. 7), identifica sete aspectos da comunhão que caracteriza a vida cristã:


- A comunhão que implica um compartilhar de amizade (1 Jo 1.3)


- A comunhão que implica um compartilhar dos bens materiais (Rm 15.25; 2 Co 8.4; 9.13; Hb 13.16)


- A comunhão que implica uma cooperação na obra de Cristo (Fp 1.5)


- A comunhão que implica uma convivência na comunidade da fé (Ef 3.9)


- A comunhão implica uma relação com o Espírito (2 Co 13.14; Fp 2.1)


- A comunhão implica uma relação com Cristo (1 Co 1.9; 10.16; Fl 3.10)


- A comunhão implica uma relação com o Pai (1 Jo 1.3, 6)


A koinonia cristã, conforme Barclay, é aquele vínculo que liga os cristãos uns aos outros, a Cristo e a Deus.


A COMUNIDADE DOS BENS


Existem evidências históricas de que a “comunidade dos bens”, entendida como a participação comum de um grupo em todos os bens dos membros deste grupo, foi idealizada por Pitágoras (Kenner, 2004, p. 345) como um modelo utópico e ideal de convivência. Williams (1996, p. 78) e Champlin (2001, p. 824) fazem referência citação de Filo louvando os essênios por esta prática. Josefo (2005, p. 827) relata sobre os essênios:


Possuem todos os bens em comum, sem que os ricos tenham maior parte que os pobres”. E ainda, “Assim, eles se servem uns dos outros e escolhem homens de bem da ordem dos sacerdotes, que recebem tudo o que eles recolhem de seu trabalho e têm o cuidado de fornecer alimento a todos. (Idem)


O Novo Testamento registra em várias passagens esta prática (Jo 12.6; Lc 8.3; At 4.36, 57 e 5.1), estando o principal episódio registrado em Atos 2.42-47. Para Champlin (Idem):


A partilha informal, naturalmente alicerçada sobre o amor de um crente por outro, é o padrão das virtudes cristãs, mas isso não precisa transformar-se em uma partilha formal e obrigatória de bens.


IGREJA E COMUNISMO


Alguns defendem a idéia de que Atos 2.42-47 é uma proposta bíblica para o comunismo. “Porém, não há qualquer dogma, no Novo Testamento, no sentido de que a experiência deveria ser universal, compulsória e permanente”. (ibdem, p. 826). Observemos a posição de outros estudiosos das Escrituras:


O fato de mais tarde Barnabé ser destacado por vender uma propriedade indica que esta prática não é algo que todos os crentes fazem (At 4.36,37). Os novos crentes estão dispostos a compartilhar suas possessões quando surgem necessidades (v. 45). O termo comunismo não descreve esta prática. Antes, eles estão expressando amor espontâneo, e é completamente voluntário. (ARRINGTON, 2003, p. 640)


“O amor cristão manifestou-se num programa social de assistência material aos pobres. Essa atitude cristã de partilhar com os outros parece que se limitou aos primeiros anos da igreja de Jerusalém e não se estendeu às novas igrejas conforme o Evangelho foi sendo levado através da Judéia.” (PFEIFFER; HARRISON, 1987, p. 245)


Um dos resultados foi a prontidão dos crentes em partilhar seus bens uns com os outros. Isto se tornou prática comum entre os crentes. O verbo está no imperfeito e podia ser traduzido assim: ‘continuavam a usar todas as coisas em comum’. Para esses cristãos a espiritualidade era inseparável da responsabilidade social (Dt 15.4s; At 6.1-6; 11.28; 20.33-55; 24.17 ss). Parece que o comunitarismo teria sido uma solução provisória neste caso, e necessário naquela circunstância. (WILLIAMS, 1996, p. 77)


É verdade que Jesus ordenou a um jovem governante rico que vendesse os seus bens e desse o dinheiro aos pobres (Lc 18.18-30), mas a razão para a ordem era testar a fé, e não forçar um nivelamento social e econômico. [...] Jesus disse: ‘Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre’ (Mt 26.11). (PFEIFFER; VOS; REA, 2006, p. 440)


Que conclusões podem ser tiradas, então, com respeito à abordagem bíblica ao comunismo? Em primeiro lugar, A Bíblia certamente não apóia o Comunismo Marxista com sua filosofia anti-Deus e seu conceito de guerra de classes. Várias passagens (por exemplo Ef 6.5-9; Cl 3.22; 4.1) admoestam os trabalhadores a ter boas relações com os seus patrões e vice-e-versa. Segundo, a posse pública da propriedade entre os crentes parece ter sido restrita a Jerusalém. (Idem)


Para concluir, entendo que tanto o Capitalismo Selvagem, quanto o Comunismo Utópico, são sistemas sócio-político-econômicos desprovidos dos princípios bíblicos de amor, comunhão, voluntariedade e generosidade.


Como bem colocam Pfeiffer, Vos e Rea (Idem, p. 441):


Se os crentes hoje desejarem viver em um acordo onde os cristãos tenham a posse pública dos bens, eles devem se sentir livres para assim proceder; mas a Escritura não os obriga a viver desta maneira, e eles não devem julgar os outros crentes que preferem usufruir a posse privada da propriedade. Todos devem lembrar de que são meramente mordomos de tudo o que Deus lhes tem dado, e que são exortados a exercitar a mordomia fiel das posses que lhe foram confiadas.


A UNIDADE ORGÂNICA DO CORPO DE CRISTO


O texto de 1 Co 12.12-27, que trata da unidade orgânica da Igreja, nos possibilita a compreensão de verdades essenciais para a transformação da nossa maneira de ser, pensar, falar e agir sobre este organismo vivo e espiritual no qual estamos inseridos, do qual fazemos parte.
- Fomos todos batizados em um corpo (v. 13a)
Em termos orgânicos e espirituais, a Igreja não é formada de “corpos”, antes, é um corpo formado de “membros”. Os verdadeiros cristãos, independente de onde estejam, separados por barreiras denominacionais, doutrinárias, ideológicas, conceituais, geográficas, sociais ou qualquer outra, são membros “colocados” para dentro de um único corpo.
- Bebemos todos de um só Espírito (v. 13b)
O Espírito é a fonte de onde emana vida espiritual. Pelo Espírito somos saciados e nutridos com a vida de Deus. Todo o corpo com os seus membros podem funcionar perfeitamente, pois não haverá escassez desta água renovadora. Todos podem beber, pois não há acepção de órgãos. Não há privilégios apenas para alguns. A fonte é abundante e inesgotável.
- Temos o sentido de ser e fazer apenas na relação com o outro (v. 14-23)
A interdependência é a tônica que rege os órgãos do corpo. Um órgão não tem sentido sem o outro, pois só existe para servir, não é um mero adereço no corpo. Nenhum órgão subsiste naturalmente fora do corpo. Só no corpo ele “é”, e apenas no corpo ele “faz”, se realizando numa relação de reciprocidade de serviço e de utilidade. Ser órgão é ser “parte de”, e não “ser em si”.
- Precisamos ter cuidado com o que pensamos e dizemos (v. 15, 16 e 21)
O pensamento precede a fala. A boca fala daquilo que o coração está cheio. A fala manifesta os segredos da alma. O fato de achar e dizer que não somos do corpo não nos tiram do corpo. Afirmar que não precisamos um outro, além de manifestar arrogância, revela também o nosso auto-engano. Precisamos sim um dos outros. Não podemos negar isto com ações ou palavras. Sozinhos não iremos longe. Sozinhos morreremos.
- Contentemo-nos com a posição que ocupamos no corpo (v. 18 e 24)
É necessário saber que é Deus quem dispõem, coloca, coordena e concede lugares, funções e honras no corpo. Não é simplesmente uma escolha pessoal, antes, se trata de uma determinação soberana e graciosa. Soberana, pois tudo é de Deus, e graciosa, pois não é meritória, não é fruto de nossas obras ou méritos pessoais ocupar este ou aquele lugar, esta ou aquela função, receber esta ou aquela honra. Tudo é dele e para Ele.
- Cuidemos uns dos outros com igual cuidado (v. 25)
É preciso entender que somos como membros do mesmo corpo, cuidadores. Cuidar implica em nutrir, suster, socorrer, ajudar, ouvir, apoiar e outras ações. Mas, não devemos apenas ser cuidadores. Precisamos cuidar de todos sem acepção, sem preferencialismo. É fazer o bem sem ver a quem. Trata-se de ação misericordiosa e desinteressada. Cuidar é amar. Cuidar é fazer o que deve ser feito, norteado pelos mais nobres sentimentos e objetivos.
- Soframos com o sofrimento alheio (v. 26a)
A indiferença para com o sofrimento dos outros órgãos do corpo, por suas disfunções, enfermidades, carências ou doenças, não é uma atitude esperada ou desejada de quem está comprometido com o todo. Chorai com os que choram. Se coloque no lugar do outro. Tente perceber suas dores, medos, temores, ansiedades, angústias e frustrações.
- Alegremo-nos com a alegria alheia (v. 26b)
A inveja, conceituada como “profunda tristeza com o sucesso, conquistas, vitórias, bênçãos e felicidade dos outros” pode impedir, de alegrarmo-nos com a alegria do no nosso irmão, do outro membro. Celebremos, festejemos, regozijemo-nos, alegremo-nos quantas vezes for necessário com a forma de Deus honrar o nosso próximo.
- Tenhamos uma visão geral do corpo (v. 27a)
Uma visão geral nos possibilita uma compreensão macro da unidade, da comunhão, da interdependência, da grandeza, da beleza, da magnitude, da força, da vitalidade, do crescimento, da força, da inteireza de ser corpo de Cristo. Trata-se de uma visão onde o “eu” se funde com o “tu” formando um “nós”.
- Tenhamos uma visão sistêmica do corpo (v. 27b)
Tal visão nos proporciona uma percepção mais apurada e individualizada da multiplicidade de funções (multifuncionalidade) dos órgãos e membros, das suas particularidades, atribuições e interligações. Das nossas possibilidades de agregar valor ao corpo, e do valor que os demais membros agregam a este corpo.
Uma compreensão da unidade orgânica do corpo é vital para o seu próprio crescimento, para a manutenção de sua saúde e funcionalidade, tanto numa perspectiva do todo, como na perspectiva de cada membro deste corpo.
UNIDADE DOUTRINÁRIA
Sobre "unidade doutrinária", recomendo a leitura dos posts abaixo, publicados neste blog, que expressa a realidade que vivenciamos em termos de Assembleia de Deus no Brasil:
UNIDADE DENOMINACIONAL
Em pleno ano do Centenário, vivenciamos também uma crise na unidade denominacional. Tal crise é caracterizada:
- Pelos litígios convencionais e ministeriais nos estados e regiões, onde em alguns lugares os membros e obreiros de uma convenção, ministério ou igreja, são proibidos de visitar ou participar da atividade da "outra", sob pena de disciplina ou exclusão. É verdade que alguns litígios são provocados pela ganância, vaidade, falta de respeito e de submissão de alguns. Nestes casos, os órgãos competentes deveriam cooperar na busca de soluções que promovessem o mínimo de respeito possível, não deixando a coisa correr à revelia. É bom também salientar, que há casos onde a Bíblia recomenda a não associação com alguns que se dizem "irmãos", mas que não vivem de acordo com o Evangelho de Jesus (1 Co 5.11-13).
- Pela "mercadologização" da fé, onde igrejas são abertas da mesma forma que se abre uma loja, sem "cliente" algum (ou poucos), mas sob a confiança dos empresários da fé em estratégias de crescimento fundamentadas em técnicas de marketing, uso da mídia e "pescarias em aquários".
- Pela neopentecostalização do pentecostalismo clássico assembleiano, onde no culto vale de tudo para atrair o povo. Quem disse que as sete voltas de Jericó, os sete mergulhos no Jordão, o culto da vitória, o culto da prosperidade, o culto de quebra de maldição, a determinação de bênçãos e coisas semelhantes a estas ainda são "privilégios" apenas dos neopentecostais. Pois é amados, muitos já adeririam àquilo que alguns teólogos e sociólogos chamam de "a terceira onda do pentecostalismo".
Talvez alguns se contorçam diante do aqui exposto, que trata de fatos presentes também na igreja primitiva e tratados abertamente no Novo Testamento (penso que muitos se contorceram na época com as declarações de Paulo), mas não podemos fingir que nada está acontecendo, tentando procrastinar soluções ou mascarar a realidade com belos discursos e grandes festividades.
Estudar uma lição bíblica deste nível, sem procurar aplicar os seus ensinamentos à nossa realidade, é pura retórica, é mero auto-engano, é um pecado grave.
Busquemos a verdadeira comunhão e unidade bíblica, sejamos cumpridores da Palavra, e não nos enganemos com falsos discursos (Tg 1.22)
BIBLIOGRAFIA




ARRINGTON, French L; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.


BARCLAY, William. Palavras chaves do Novo Testamento. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000.


CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5. ed. São Paulo: Hagnos, 2001. v. 1


GERMANO, Altair. Estudos bíblicos e escritos. Recife-PE: Edição do Autor, 2010.


JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém obra completa. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.


PFEIFFER; Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody: os evangelhos e atos. São Paulo: IBR, 1997. v. 4


______; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.


KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos: Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004.


VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário Vine. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.


WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. São Paulo: Vida, 1996.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quando a Assembléia de Deus era de Deus!!!!!!

Quando a Assembléia era de Deus!

Por Nelson Gervoni
Sou de família assembleiana, quando nasci meus pais eram da Madureira, tenho dois primos e um tio pastores no Ministério do Belém, um segundo tio é pastor de Madureira, meu sogro é presbítero e dirigiu diversas congregações da Assembléia, minha esposa nasceu e foi criada nesta igreja e atualmente me vejo pastor ligado à CGADB (Convenção Geral das Assembléias de Deus) através do Belém.
Meu espírito livre me levou a sair da Assembléia de Deus ainda jovem, fiz minha formação teológica num Instituto Batista e por último pastoreei uma igreja anabatista de origem alemã. Por algumas razões há três anos retornei à Casa onde nasci.
Não demorou muito e percebi que a igreja à qual retornara não era mais aquela de onde saíra. Senti-me como alguém que deixa a pátria onde nasceu e ao retornar se sente como um estrangeiro da terra natal.
As diferenças eram tantas que me lembrei de uma frase inúmeras vezes repetida por meu avô materno (nascido em 1901 e convertido ainda jovem na Assembléia de Deus da Missão). Quando via algum absurdo da parte da liderança da igreja, o velho dizia: “Quando a Assembléia era de Deus, isso não acontecia”. E acrescentava, dizendo: “os homens se juntaram e tomaram de Deus a Assembléia de Deus, que agora é dos homens...”
Por ser criança não compreendia ao certo o que o levava meu avô a afirmar isso. Entretanto, esses três anos de Assembléia de Deus me levaram a uma compreensão empática do velho. Ou seja, não somente compreendo, mas sinto o que ele sentia. Havia na expressão do meu avô uma vanguarda profética.
Hoje, não chego a afirmar que a Assembléia não é de Deus, pois ainda há nela um povo caminhante que, não obstante sua liderança, serve a Deus com sinceridade e aguarda a volta do seu Redentor. Mas talvez esta seja uma das poucas características que ainda lhe assegure o nome que tem. A Assembléia não é dos homens. É de Deus. Mas não há dúvida de que os homens – suas lideranças – estão tratando-a como os sacerdotes dos tempos proféticos tratavam a Casa de Deus. Se não, vejamos.
Centralização do poder econômico
A Assembléia de Deus perdeu sua característica de comunidade simples e é uma das igrejas mais ricas do Brasil. Isso a torna semelhante ao Clero Romano que tanto criticamos por sua centralização de poder. Se parece com o sacerdócio do Antigo Testamento tão criticado pelos profetas de então.
Em nível nacional sua riqueza se concentra principalmente na CGADB – que tem como uma das principais fontes financeiras a CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus), cuja arrecadação se assemelha a de grandes editoras, como por exemplo, a Abril – e no Ministério do Belém, hegemônico entre os demais ministérios ligados à Convenção.
Estrategicamente esse império, formado principalmente pela CGADB e Belém, se concentra nas mãos de pouquíssimas pessoas, lideradas pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, na presidência simultânea das duas entidades há mais de duas décadas.
Em níveis regionais o poder econômico é distribuído favorecendo os mesmos presidentes de Campo que em nível nacional apóiam e se locupletam com José Wellington. A gestão dos Campos reproduz a administração regional, com centralização de poder e de dinheiro.
É canalizada para a Sede do Campo toda a renda das congregações que em virtude disso perdem a autonomia para realizações descentralizadas. Para citar só um exemplo, a Congregação onde ajudei ultimamente necessita de manutenção das suas dependências, de infra-estrutura para a Escola Dominical das crianças e de instrumentos musicais. Tem uma arrecadação mensal estimada entre R$ 5 mil e R$ 8 mil (digo estimada, pois não se tem acesso à informação da sua arrecadação), mas como deve encaminhar integralmente seus ingressos à Sede, não pode atender suas necessidades locais. Com isso, os departamentos fazem malabarismo para arrecadarem algum dinheiro. Por exemplo, o Círculo de Oração (departamento feminino) faz pizzas e nhoque e vende para os membros, que já contribuem com seus dízimos e ofertas.
Hereditariedade do poder
Outro fenômeno que vem se reproduzindo nas últimas décadas, em especial nas AD do Estado de São Paulo, é a hereditariedade de poder nas esferas regionais. É comum pastores presidentes de Campo prepararem seus filhos para os sucederem ministerialmente. Por exemplo, no Campo de Presidente Prudente/SP o pastor presidente atual é João Carlos Padilha, filho do ex-pastor presidente Carlos Padilha. No Campo de Indaiatuba/SP o pastor presidente é Raimundo Soares de Lima que tem como vice-presidente e sucessor estatutário o próprio filho, pastor Rubeneuton de Lima, mais conhecido como Newton Lima. No Campo de Araçatuba o presidente é o pastor Emanuel Barbosa Martins e o vice-presidente é seu filho, Emanuel Barbosa Martins Filho. No Campo de Limeira o ex-presidente, pastor Joel Amâncio de Souza, fez como seu sucessor o próprio filho, pastor Levy Ferreira de Souza. Medida que foi pivô de considerável divisão na igreja.
Há uma grande possibilidade da hereditariedade de poder se aplicar em nível nacional, pois é de conhecimento dos pastores da CGADB que o pastor José Wellington prepara sua sucessão para um dos filhos, José Wellington Costa Junior, vice-presidente da AD em São Paulo, Ministério do Belém e presidente do Conselho Administrativo da CPAD.
Cabe uma pergunta em relação a isso: É Deus ou o homem quem escolhe o sucessor da presidência da igreja? Penso que a possibilidade de Deus escolher tantos filhos de presidentes como seus sucessores está descartada.
As igrejas do Novo Testamento não eram assim. As congregações escolhiam seus oficiais (Atos 6.1-6, 14.23) e não tinham um pastor presidente que dominava sobre elas.
Sem transparência financeira
Outra coisa que me intrigou ao retornar para a Assembléia de Deus foi descobrir que não é dado saber – senão a duas ou três pessoas da diretoria da Sede – nada sobre a movimentação financeira do Campo. Estima-se que num Campo como o de Campinas, por exemplo, a receita gire em torno R$ 1,5 milhão por mês. Não se sabe ao certo quanto entra e como é gasto o dinheiro; quanto ganha por mês o pastor presidente, pastores regionais e distritais. Recentemente ouvi de uma liderança leiga que o custo de manutenção do pastor presidente, no caso do Campo de Campinas, beira os R$ 60 mil mensais.
Sabe-se, no entanto que as congregações das periferias são pastoreadas por homens simples, que mal recebem ajuda de custo. Assim, muitos têm seus empregos para se sustentarem e os que não conseguem se empregar chegam a passar por privações e apuros financeiros.
A explicação para a ocultação orçamentária é a segurança. Afirmam que não divulgam suas contas para evitarem assaltos. Isso não é verdadeiro, pois qualquer assaltante bem informado sabe que igrejas movimentam rios de dinheiro. E uma coisa é divulgar aos quatro cantos o quanto a igreja arrecada, expondo-a a riscos de roubos, outra coisa é manter seus membros informados do total coletivo das suas contribuições. Afinal, igreja não é empresa privada, que somente o dono tem acesso às suas informações financeiras.
Do ponto de vista legal as igrejas são associações civis regidas pelo Código Civil e como tais, segundo a legislação, devem prestar contas de sua movimentação financeira aos associados, que no caso da igreja são os seus membros. Por exemplo, o Artigo 59, Inciso III do Código Civil diz que “Compete privativamente à assembléia geral (...) aprovar as contas” da instituição. Como poderão aprovar (ou reprovar) as contas sobre a qual pouco ou nada se sabe? Ou como aprovarão se sequer participam das assembléias, em cuja pauta não se coloca em votação a aprovação financeira?
Do ponto de vista bíblico não há nada que se pareça com isso. Não há no Novo Testamento uma associação de igrejas com um presidente arrecadando os ingressos das congregações para administrá-los centralizadamente, se beneficiando de altos salários.
Entretanto, a falta de transparência financeira não é um “privilégio” exclusivo das igrejas e dos Campos. Recentemente o pastor Antonio Silva Santana, eleito em 2009 primeiro tesoureiro da GADB, renunciou alegando falta de acesso às principais informações de caráter fiscal e financeiro da instituição.
Quando não se lança luz sobre uma questão tão importante como esta, obscurece-se a verdade, dando margens a dúvidas. Por exemplo, pode-se perguntar se o dízimo dos contribuintes não foi usado nas últimas eleições para financiar campanhas políticas de pastores candidatos a cargos eletivos.
Esse questionamento nos leva ao próximo assunto.
Vínculo com a política partidária
Não é preciso fazer nenhum esforço mental para perceber que estas características (centralização do poder econômico, hereditariedade do poder e falta de transparência financeira) são próprias das instituições contaminadas pelo abuso de poder, pela ganância, pelo nepotismo, etc. Trata-se de um quadro muito comum nas esferas da política partidária. Assim sendo, como “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7), era de se esperar que a Assembléia de Deus refizesse (pelo menos tenta refazer), através de sua atuação político-partidária, o casamento entre a Igreja e o Estado, união responsável pelo apodrecimento da fé e cujo divórcio custou o sangue de mártires na História do Cristianismo.
Há atualmente em algumas igrejas a idéia de que “o povo de Deus precisa de representantes na política”. Particularmente tenho uma opinião desenvolvida sobre isso, exposta em recente artigo que escrevi, “Por que não voto em ‘irmão de igreja’”, publicado em meu blog pessoal. Mas, opinião individual a parte, o que mais assusta é o pragmatismo com o qual essa questão vem sendo tratada nas Assembléias de Deus ligadas à CGADB.
A 33ª assembléia geral ordinária da CGADB, realizada em Belo Horizonte em 1997 – e portanto presidida pelo pastor José Wellington – aprovou uma resolução que recomenda aos pastores titulares não se candidatarem a cargos eletivos. Para se candidatar deve o ministro se desvincular de seu cargo pastoral. A resolução é sábia, pois visa, entre outras coisas, poupar a igreja de envolvimento com escândalos políticos que nela respingam, como ocorridos em episódios conhecidos.
Entretanto, não obstante a resolução, recentemente o pastor José Wellington esteve em Campinas e, numa reunião com pastores num hotel, pediu a estes o apoio à candidatura a deputado federal de seu filho Paulo Roberto Freire da Costa – presidente do Campo de Campinas – sem sequer tocar no assunto da desvinculação proposta na resolução que ambos ajudaram a aprovar. Paulo Freire foi eleito e continua presidente da Assembléia Campinas, como se a resolução não existisse.
Ironicamente, a igreja de Campinas foi envolvida num escândalo político quando pastoreada por Marinésio Soares da Silva, antecessor de Paulo Freire. O escândalo foi protagonizado por uma filha Marinésio, na ocasião deputada federal, tendo causado muitos sofrimentos à igreja.
O equivoco de se misturar poder político e igreja foi esclarecido por Cristo numa conversa com seus discípulos, narrada em Marcos 10. Tiago e João reivindicaram o direito de assentar-se com Jesus, um à direita e outro à esquerda do seu trono. Eles não haviam compreendido que o reino de Cristo não se daria na dimensão da política terrena. Para esclarecê-los Jesus lhes disse: “Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Marcos 10.42-44, com grifo do autor).
A fala de Cristo (grifada acima) sempre será atual. Alerta contra a centralização do poder econômico, a hereditariedade do poder, a falta de transparência financeira e outras mazelas. As instituições mundanas agem dessa forma, “Mas entre vós não é assim”.
O fenômeno da naturalização
Chama a atenção em todo esse processo o fenômeno da naturalização. Ou seja, todas essas características são vistas e vividas como muito naturais, pela liderança e pela chamada “membresia”. A centralização e a hereditariedade do poder, a falta de comunicação e clareza sobre as contas e o relacionamento – fisiológico, inclusive – com a política, são encarados como algo muito normal e, portanto, sem a necessidade de qualquer questionamento.
Todas essas peculiaridades geralmente são justificadas pela “unção” recebida pelo “homem de Deus”, inclusive com uma equivocada interpretação do texto bíblico que diz “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal” (1 Crônicas 16.22 e Salmo 105.15). Assim, um “ungido” centraliza o poder e designa-o a quem bem entende – geralmente aos filhos – e os demais ungidos e profetas aceitam sem nada dizer. Da mesma forma, se ele é um “ungido de Deus”, tem autonomia, à custa da heteronomia dos demais, para administrar as finanças da igreja sem delas ter que prestar contas. Por outro lado, os membros se isentam da responsabilidade de fiscalizar, pois acreditam que seu papel é apenas trazer os dízimos (Malaquias 3.10) sem se preocupar com o que será feito dele.
As semelhanças desse modelo com a política fisiológica, voltada para projetos pessoais, são muitas. Isso explica o casamento da igreja com a política partidária.
Será que não estamos diante da síndrome de Eli?
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Nelson Gervoni é pastor da Assembléia de Deus filiado à CGADB, é Coordenador de Projetos Educacionais do Instituto Souza Campos – Pólo Educacional da Universidade Luterana do Brasil em Campinas, SP e integrante do GEPEM da Faculdade de Educação da Unicamp. Artigo enviado pelo autor, para colaboração no Púlpito Cristão e divulgado pelo Blog Renato Jr.